Gente-coelho:
o movimento entre ir e voltar, chegar e partir, o momento em que dois momentos divagantes, num impulso interior e individual, se encontram numa unidade criativa de algo que acaba por não se finalizar.
Gente-Gato:
espreguiçam-se docemente em belos tapetes, sem lhes interessar o material que os compõe, ao sol.
Ha' que o fazer antes que caia a noite.
Gente-bicho:
sem falar.
(Gente-humana:
a tentar equilibrar o balance' para que não penda demais para apenas um dos lados.)

4 comentários:
as horas são exactamente essas, as mesmas que no sol - daí a necessidade de equilibrar os lados, e as gentes; pois só assim se vê o quadro (quase) todo que é esse 'agora'.
(é impossível não viajar nas tuas palavras)*
Isso faz-me lembrar imenso o episódio por que passei na 6ª para regressar do trabalho: apanhei o eléctrico às 23h, cheguei à porta de casa à 1h da manhã.
Havia uma senhora que reclamava ter de dar de comer à gata, que "devia estar a dar saltos pelas paredes" por aquela hora. Essa senhora, para além de mim e dos gandins de Alfama, era a única sobrevivente da viagem. Foi um belo fim de noite, porque descíamos todos (menos a senhora que ficava a lamuriar a gata sozinha e em ciclo fechado)para fora da plataforma, a fumar cigarros, e a discutir motores de eléctrico. Com vista para o rio.
(Houve 3 carros atravessados no espaço de 400m. Quanto aos carros, se fosse um '700' bidireccional com motores Metrovick dos anos 40 (90cv) e freios electropneumáticos, tinham dado a volta em 10 minutos. Entre vários assuntos.)
Um destes:
youtube.com/watch?v=aVY9P0WQt4U&feature=related
spetz
cais do sodré
saldanha
oriente
rossio
as estações de metro também (se) escrevem.
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