o que mais a cansava, era esta tentativa repetitiva que as pessoas tinham de negar a falta que sentiam das pequenas coisas cintilantes. coisas que procuravam apagar da memória, para respirar melhor e dormir no descanso do vazio da normalidade. coisas que escondiam no fundo das peúgas e, secretamente, lhes faziam cócegas impedindo-as de andar em condições.
o que mais a cansava, era esta tentativa repetitiva que as pessoas tinham de se fazer ouvir, atropelando berros em palavras, para se fazerem ouvir melhor entre iguais. mas cansava-a também o silêncio distanciado.
o que mais a cansava, não era a solidão em si, mas o abandono fortuito aos dias nimbulosos.
de pernas para o sol,
-e se eu amar mais um Judas?
-e se amares as paredes vermelhas?
- e se eu amar todas as quedas, antes da morte Circuncisada?
-e se não quiseres mais cortar o cabelo com a tesoura dos olhos?
ria-se.
-estrelas esféricas em explosões entre esfenoides.
-oh, espelhos basilares do sossego e fragilidade das tais flores-neve.
5 meninas em vestidos papoilados numa dança feérica à sua volta, virada de pernas para o sol, suspirava o campo pelas narinas até que as cidades se dissolvessem no ralo oceânico.

1 comentário:
tantos são os que não andam em condições...
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