20091213

já não é nada. apenas o que vem cá de dentro.
faltam-me palavras, se as outras se decidem a enfiar por cima.
já não há.

dispar'atar

nada mais. decidi vomitar mais uma vez, para o vazio que se cerca a outra hora qualquer, entre duas luzes, uma laranja e três estrelas fixas na penumbra.

vê. carrasco. passar de um lado para outro, ser isto ou aquilo já não interessa.
sorrir debaixo da mesa da casa da avó de cabeça mal partida pelo degrau escorregadio da entrada do prédio. um quarto novo virá, com tapete vermelho.

passa despercebido na rua, a falar ao telemovel.

termina uma frase. vá. termina a frase e anda daqui p'ra fora.
esquece o babuíno no cimo das escadas. sete degraus. a escola cheia de gente. para que é que se há-de pensar em janelas partidas? arremessa uma pedra certeira à alma das esquinas. ainda não viste nada.
estou farta.
isso também é uma forma de se sentir. medo, principalmente.
de acordar às 04.48. ou de trechos esquecidos.
e se foi bonito, fui vencida pela ilusão da dor.


mas há mais lá p'rá frente, vá não desistas agora. continua. vá. continua.
antes que o interior do estomago não contenha mais borboletas. confirma as palavras todas. "a dor de ter que errar". deixa o mar seguir o curso que ele não te chama mais. e se os meus braços se cruzarem por cima da cabeça a suplicar o tiro certeiro?
ouvia-te nas licorosas noites de regresso a casa. uma flauta aguda a furar-me os tímpanos. a rir sozinha. e a perspectiva. a percepção. a porta aberta ao perdão. vá, respira, deixa entrar o barulhinho da chave mestra do coração. o ferrolho é uma invenção do medo, também. Jesus tem um alarme, daqueles das roupas, enfiado no pé. riu-se para outros babus. fez de conta que era feliz. e depois esqueceu-se que ia para outro lado. mas são as saudades a tolher o mergulho certeiro na superficie espelhada pelo sol num Agosto passado. muito do passado. foi já aqui ao lado.

já não sei fazer sentido. já não interessa se é tão falso. se me falta um pedaço do lado direito do cérebro para entender o que está agora a acontecer. se quero fugir desta casa para ver se aguento a solidão. se não me incomoda a comichão na alma. a infecção no coração. o borboto na manga. as sapatilhas rotas e respirar no caminho de terra batida. vai sozinha. e vais bem acompanhada. ficaram livros vazios. as palavras foram diluídas e os bichos que se seguirem não vão ler os livros que vão escrever por ti. porque a fala será outra. registos arqueológicos da infância de qualquer homem. um padrão vulgar. repetitivo. santo. a influência do som. ah. já ouviste isto em qualquer lado, não foi?

ou leste. repete. corta. cola. cogumelos, pedras de resina, fofos esverdeabrancos.
as dores nas costas repentinas. e carregar o fardo fêmea? ainda querem que me atreva a carregar o fardo fêmea? ri-te que nada disto existe e é inventado.

com outras palavras por cima, entrelinhas mal lidas. e escrever mal, tão mal. apenas para nada.

4 comentários:

Anónimo disse...

eu ainda te oiço
se ainda acreditares

Sr. Jeremias disse...

para nada ou para tudo, que nada, tudo, faz sentido mesmo que não o faça. deve ser essa a angustia do poeta mas não o sei.

*

Anónimo disse...

'indizível.'

mari(ana

SpetzNatz disse...
Este comentário foi removido pelo autor.