fazer de conta.
sem que me apeceba, a memória vai deixar que tudo se vá embora, céus, calçadas, barcos, risos, prédios tristes, campainhas, noites, lençóis, dias, amuos chorosos, bandejas de plástico cinzentas e sofás & televisões entretidas com copos de vidro baixos com cerveja até acima. demasiados detalhes para serem cuspidos aqui, neste agora.
mas escuta, amansa, sem dares por isso os deuses estrelados sob a minha cabeça vão abençoar os teus passos apenas porque lhes sussurro.
Há uma necessidade gigante de abrir as janelas todas para deixar a casa respirar, apenas hoje.
Amanhã logo se vê. Amanhã voltarão caminhadas incertas, ídolos de pedra em ilhas desconhecidas, mascarilhas prateadas a fazer de tiaras, venenos a ser engolidos em celebrações, cabelos compridos, cortados, o tamanho das bainhas, as revoltas no mundo e o conforto dos sapatos como temas principais. pinceladas à parte, as palavras custam a sair. Antes de dar por isso sei que vou fumar cigarros imaginários neste telhado contigo e dizer-te que prometo que todas as vezes que aquelas páginas me vierem bater à porta vou querer pegar fogo aos muros e gritar. Gritar não sei bem o quê.
Mas creio que não importa. Tenho demasiadas eternidades para as palavras.
Os dois pés descalços, roçando um no outro, e a certeza de que o abandono se vai, para outro lugar qualquer. e desejar, por uma vez na vida, saber já tocar piano para me poder cruzar na rua contigo.
um dia destes.
20110202
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