20090118

a mentira sorridente

a meio da noite, num despertar qualquer, entre restos de canções que me embalaram pela vida fora, dou conta do silêncio, da ausência da respiração. já não t(r)emo.

se as palavras bastassem para explicar o que não consigo: esta sensação de ter eternidades dentro de mim que ninguém vê. fui atirada contra o chão e virada do avesso enquanto escutava sons entre dentes e entre peitos nus. lençóis azuis desaparecidos. alarmada pela falta de visibilidade no terreno alheio, caí por terra. olhei à volta.

não reparei nos cotovelos esfolados, nem nos pêlos do nariz, nem na falta de brilho no cabelo, nem nos padrões das t-shirts, nem em pérolas nos lóbulos. escorria suavemente pela garganta uma amargura desconhecida. a saudade feita de botões que não se conseguem abrir, que deixam o casaco fechado, escondendo o que está debaixo do mesmo.

(enquanto existir uma história da filosofia para me entreter e mandá-los para o caralho a meio da leitura. enquanto o dedo escorregar até ao fim do ar. enquanto me fechar em copas, que nem uma ostra assustada. enquanto estiver no estupido desalento do abandono. enquanto não se evaporar da pele do infinito. enquanto se forem desenhando peixes-pássaros dentro de camafeus enfeitados com pedrinhas oceânicas. enquanto o branco chegar noite após noite antes de ser adormecida. enquanto. enquanto o quê?)

espera.

um dia acordo e está gravado numa lápide, que aqui já não existe ninguém.

como se me fosse permitido não me tornar naquilo que sou.

4 comentários:

Anónimo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

quoting my fav band: A lie to maintain equilibrium, to hold me in this dead realm - this last ever dream. I'm the thought that never crossed my mind - disguised in the evident. Forever unredeemed. por mais resumido e sumarizado que seja, não deixa de ser uma das coisas mais verdadeira, lógica e ao mesmo tempo poeticas que que ja' li. espero que faça tanto sentido como fez para mim, pelo menos deduzi ao ler o o que escreveste que pudesse ter a ver, no entanto, posso estar enganado, tinha saudades de te ler e vim ver. ah e sempre gostei daquelas palavrinhas com () que usas. ex: t(r)emo

Sr. Jeremias disse...

"regardless of what they say"

Anónimo disse...

vai correr tudo bem. a minha mãe diz para esperar pelo fim do semestre e depois logo decido o que faço à vida. se fico. ou se me vou embora.

(já deitei a comida fora. também isso se está a tornar insuportável. e o resto. agora já cá não está também,melhor
nao sei)

pode ser que amanhã sim.

está não faz mal não teres atendido. eu não saio daqui.

(mais abaixo lê-se: seleccionar uma identidade)*