-é tempo de ir embora.
de costas viradas para mim.
os sonhos foram todos cuspidos. a viagem começa do outro lado do tempo.
esse mesmo. o que não quiseste conhecer.
que sorte a tua
(um cão azul dentro de uma laranja, lambe as patas de um rapaz com lagartos que lhe passeiam nos olhos. consegues ver a luz da pensão e os telhados floridos? ele ainda cheira cocaína de mentol. ela ainda se ri do pânico alheio e dança o tango. recitaram-me a tabuada dos cabelos loirosencaracoladosdociumedossonhos. chupa-lhe a ponta do cabelo. promete-me isso. ela é muito mais bonita se lhe chupares o cabelo. isso comove-me. o amor estupidifica mas é melhor que não amar. detesto vazios. os monstros estão debaixo da cama flutuante. mas nós elevamo-nos e não nos deixamos apanhar. a culpa foi do verão. eu sei. ele faz uma pausa para respirar, mas continua a fumar cigarros turcos. não tenho idade suficiente para ter idade. o tempo parou demasiadas vezes para que acreditasse nele. não lhe faço falta. crack. a dor das bolachas partilhadas não existe. consegui ver os teus pecados sem que desses por isso. lembras-te do que disseste? é bom quando somos parvos, mas não precisavas de exagerar. os parvos acreditam sempre. podia arrepender-me um dia destes, eu sei. ele diz que se perguntar me cospe no olho. o menino jesus cruzou-se com um erro ortográfico. sufoquei à tua espera. achei que sem ti o ar deixava de existir. tinha orelhas em bico e magia nas mangas, falava em passos de dança. a outra ao sol. leite condensado? demasiado enjoativa. faço-me de vítima, apercebo-me, caio às gargalhadas. sou despachada com uma frase que leva seis palavras. vou contra a porta fechada. há alguém do outro lado a trancá-la. sou a sonâmbula ambulante. caminhavas com um girassol na mão, achava eu. afinal não era especial. só a imaginação é que é. tenho as mãos geladas. sussurraram-me ao ouvido que o amor é inútil quando a paixão desaparece. não me importei, porque já ninguém estava lá para o ouvir. depois, depois os teus lábios eram feitos de cubos de marmelada e campainhas. nunca me hei-de esquecer da cor das tuas paredes. houve alguém que subiu para cima de uma árvore e lançou as tranças ruivas da tua infância para dentro de um poço. não havia nenhum som lá dentro. FODA-SE. esqueci-me do que te queria dizer. era qualquer coisa relacionada com
-hum?
-deixa lá. não é assim tão importante. )
corre rapidamente para dentro da nave antes que seja tarde demais.
esquece o que sonhas.
esquece o que sonhas.
torna-te o sonho.
esquece o abismo.
é que os fantasmas
quais?
os fantasmas?
a queda faz-se de braços abertos e coração em luz
nada mais importa
já que tudo é acaso
2 comentários:
nada importa. já ele dizia: 'Ninguém entende ninguém. Tudo é interstício e acaso mas está tudo certo."
um beijo*
(mariana)
"esquece o que sonhas.
torna-te o sonho."
és linda de ler*
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