"como se o sonho fosse a única realidade possível"
(há horas que passam vazias, através das paredes entediantes dos dias sem sabor. o calor dos sonhos, só, com o calor dos sonhos. )
a tal rapariga entretém-se a cantar, agachada no banho, a retirar o verniz com acetona cor-de-rosa, enquanto a água lhe escorre pelas costas. sonha com dias de independencia total. diz para si mesma que "vai correr tudo bem", repetiu a mesma frase vezes e vezes sem conta, sem sequer se preocupar com o acreditar piamente nisso. é só mais um babitúrico.
chegada ao quarto vazio, procura pela primeira vez, desde há muito tempo, uma fotografia esverdeada que se encontra enfiada no meio dos livros. acaricia a imagem, suspirante, com dedos saudosos.
talvez a perfeição leve tempo a refinar em cada um. talvez seja apenas tonta.
embacia o vidro da janela com o vapor d'água que evapora do seu corpo quente e frio.
encosta a testa à januella. e sonha com o beijo no ombro direito.
-quem tocará à tua campainha? - pergunta ao dia de sol, do lado de lá, antes do pequeno pranto habitual.
ao longe ouvem-se os pássaros e risos do nunca houve.
20090227
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2 comentários:
este tocou-me especialmente.
um beijo *
mari.ana
"vai correr tudo bem"
e um sorriso no fim disto. :)
ninfa*
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