20080822

II

um desconhecido que se aproxima na pista de dança:
-acho que estou apaixonado por ti.
-não estejas.
-porquê?
-porque me estou a cagar para o amor. além do mais, já tenho dono.
-ah. está bem.


ejaculação?
o meu amigo-poeta-gato sabia tocar guitarra e ninguém tomava banho. éramos felizes e passávamos fome. havia quem achasse que as carcaças eram feitas com leite e que isso era um grave problema para a sua dieta.
-já é hora de te ler sarah kane?
dentro dos bolsos não há tostões europeus, mas há que saber de que lado do coração é que o amor é bombeado. uma vez mandámos Deus para o caralho. foi num sonho qualquer que tive. fantasiamos em gritar no alto de um prédio, sabes que quando estou bem-disposta e bebo sou uma boa companhia e me apetece fazer tudo. tenho uma das mãos rasgadas e visto-me de preto.
falava em apaixonar-me pelo meu amigo imaginário. tirava fotografias com titulos que roubava a canções. mas o tramado é que um dia as coisas acontecem e fodes-te à grande.
não tenho medo. simplesmente ansiedade e vontade de rodopiar o mais que puder até me tornar um espeto. até que a cabeça me salte do pescoço. ao fim ao cabo, continuo a ser uma boneca cujo cabelo corto. "outra vez?", mas que é que queres? eu também quero ser livre.
faltam-me pintar as coisas todas. ou lê-las. escrever é que não, porque não faço ideia do que digo, se te serve de consolo.
és um bom professor, mas é com a minha amiga que gosto de dançar entre as luzinhas nas minhas calças vermelhas. rio-me muito quando ela se arma em anita com un piéd à la main. o meu melhor amigo é cool. ele não existe. sinto-me a enlouquecer todos os dias com um segredo bem guardado.
quero descansar depois de me rebentares com a cabeça. pode ser?
estou ao rumo do vento e se não te apercebes disso, estás tão fodido quanto eu.
ou talvez não. eu já não tenho salvação possível porque continuo a ser pura. não me passaria pela cabeça prostituir o amor é a única coisa verdadeira que existe em mim. é a única coisa de que não abro mão. é a única coisa que me mantém real. é a única coisa que me diz que estou viva e aqui. não interessa como nem quando. não entendes nunca porque não me sei exprimir.
este lugar é mais meu que teu, mas também não o queres verdadeiramente.
a poesia corrompe-me. há quanto tempo não. NÃO.
a voz da minha cabeça comanda um exército de mentirosos e eu trespasso-os um a um, a grito. a grito, entendes?
escrevo para ninguém e depois a esperança vem vestida de branco e tira-me o chapéu que eu ainda não roubei.
estou cansada, salto por cima dos meus sonhos paranóicos.
fico à tua espera no entretanto. não demores.

1 comentário:

Bruno disse...

És pura. Já estás salva, não te preocupes

*