
- Nave-Mãe?
(querido coração, onde estão os "sonhos de todas as noites"?)
há muito tempo que o sonho me bate à porta sob a forma de andorinha, tsunami ou revolução social. adormeço tarde. vai ser tramado voltar ao ritmo habitual, a minha cabeça está um pouco almofadada, já tinha dito. entro dentro do monótono sorriso televisivo de qualquer um e tento não enlouquecer. todos os dias se torna uma tarefa mais e mais complicada. a virtuosa iluminação não me tem corrido como eu queria. o medo e o amor de braços dados atravessam a porta e sorriem entre lágrimas. mordo se me rosnarem.
quero tanto respirar. quero tanto adormecer. quero tanto despertar em sorrisos. quero tanto encontrar uma pastilha elástica colada na sola de borracha do chinelo. quero saber se o papagaio vai mesmo sair da embalagem.
se algum dia o nosso amor vai sair da embalagem. cruzo as pernas, mordo os dedos. fungo.
desato a chorar ao telefone com a minha avó do outro lado.
isto está a ser complicado. e o monsieur le bon fasciste tem que ser decorado. eu não concordo com metade do que ele diz.
queria tanto pegar no telefone. marcar o número certo e falar falar falar falar falar.
acho que estou triste.
mas há bolinhos de mel na cozinha, quando se chega de madrugada. a minha vida não é má. eu é que não sei para que lado me hei-de virar. sabes que não se olha para o sol da mesma forma?
onde andam as luzes alaranjadas e os olhos borrados a azul?
as minhas insónias dão-me sede. e os fantasmas vêm todos atrás para me comer os dedos dos pés e apertar o nariz.
as minhas cicatrizes não são assim tão feias e não pode ser assim tão terrível ser-se uma pessoa só no meio de mil.
tenho um grito muito entalado. há quem se inquiete. eu simplesmente penso em não sair da cama ou simplesmente ir lá para fora. preciso de outros sonhos. e de outro fuso horário.
talvez não precise do que quer que seja.
mas é muito solitário acordar sem ti.

3 comentários:
é meio dia e um quarto no alasca. nem sei se por lá também ha fantasmas que comem dedos dos pés mas se não houver desses hao-de por lá morar outros. quanto aos bolinhos de mel deve ser mais dificil...
no entanto a ar que se respira é bastante fresco.
agora, que já consigo visualizar a tua casa, fico-te a imaginar a deambular por aí.
já voltaste? eu vou a Sesimbra amanhã, quarta-feira, e gostava de te ver.
(guardei esta fotografia para mim! está linda. *)
passei a noite a ouvir L.A. woman. lembrei-me de ti. as saudades comeram-me o corpo, acredita. espero-te bem* pi
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